Loucura pacífica, criativa,
Do bom ou do mau, é igual
Gargalhada em acção aflitiva
Sorvida dumas linhas de jornal
O que faz rir assim
Ao sisudo e ao malfadado,
É saber que não é jasmim
Do monte, perfumado,
Que lhes deixa o selim
De merda deputado
domingo, 12 de dezembro de 2010
Nas asas dos sonhos
Os fantasmas nas asas dos sonhos
Os sonhos nas asas dos fantasmas
Assombrosa sinfonia de asmas
Empastelados os sentidos ave-risonhos
Canteiro semeado de mais tristonhos
E as valquírias que despertam suas carmas
Astenia apossada nos trabalhos de armas
Nestas coisas se na eira usam-se os conhos
No rescaldo do fogo a demandada
Pode ser que fique quente esta coutada
Partem os fantasmas nas asas dos sonhos
Ficam sonhos sem asas e fantasmas servos
Silvados por desbravar e regimes de nervos
E fica a esperança no reviralho sem medonhos
Os sonhos nas asas dos fantasmas
Assombrosa sinfonia de asmas
Empastelados os sentidos ave-risonhos
Canteiro semeado de mais tristonhos
E as valquírias que despertam suas carmas
Astenia apossada nos trabalhos de armas
Nestas coisas se na eira usam-se os conhos
No rescaldo do fogo a demandada
Pode ser que fique quente esta coutada
Partem os fantasmas nas asas dos sonhos
Ficam sonhos sem asas e fantasmas servos
Silvados por desbravar e regimes de nervos
E fica a esperança no reviralho sem medonhos
sábado, 21 de agosto de 2010
Tranquilamente
Alegres jograis que me cantam
a voz do melro piada
no juízo afinado pelas linhas cruzadas
e infinitas,
dos labirintos desenhados
como quem crê.
E nas notícias cantadas
por tais alegretes,
arrancadas das ausências
feridas pelos açoites da razão,
espero eu ser agraciado
pela melodia que verte o mel
dos favos sobre o escrito.
E no embalar do pio
adormecer tranquilamente.
a voz do melro piada
no juízo afinado pelas linhas cruzadas
e infinitas,
dos labirintos desenhados
como quem crê.
E nas notícias cantadas
por tais alegretes,
arrancadas das ausências
feridas pelos açoites da razão,
espero eu ser agraciado
pela melodia que verte o mel
dos favos sobre o escrito.
E no embalar do pio
adormecer tranquilamente.
8422
Hoje,
nas guerras volantes
dos novos “cowboys”,
destiladores de aguardentes,
das papoilas cultivadas,
as tropas nobres são prendadas
generosamente
— voluntários a heróis.
Ontem,
à força desertores
das nossas terras e amores,
daqui nos levaram
e sem perguntar a vontade,
roubaram o tempo.
Nas asas da psico,
fomos levados a combater
miseravelmente além-mar
— pela Pátria.
No mesmo hoje, somos tantos a expiar
— na mesma Pátria.
Que mestrou o esforço
Para nos esquecer.
nas guerras volantes
dos novos “cowboys”,
destiladores de aguardentes,
das papoilas cultivadas,
as tropas nobres são prendadas
generosamente
— voluntários a heróis.
Ontem,
à força desertores
das nossas terras e amores,
daqui nos levaram
e sem perguntar a vontade,
roubaram o tempo.
Nas asas da psico,
fomos levados a combater
miseravelmente além-mar
— pela Pátria.
No mesmo hoje, somos tantos a expiar
— na mesma Pátria.
Que mestrou o esforço
Para nos esquecer.
Falazar
Falazar, falazar. E a malta vai
Pisar, pisar. E a malta sente
Quanto mais depressa cai
Mais de burro é repetente
Será sim, e assim valente
O que diz não, sem ter pai.
A plebe do sim contente
Deste infortúnio assim não sai
Ser feliz neste sítio até podia
Memória fosse dada a quem magoa
São outros a construir o meu dia
Contradição que se apregoa
E confiar já não sei em quem seria
A liberdade é paga assim, por boa
Pisar, pisar. E a malta sente
Quanto mais depressa cai
Mais de burro é repetente
Será sim, e assim valente
O que diz não, sem ter pai.
A plebe do sim contente
Deste infortúnio assim não sai
Ser feliz neste sítio até podia
Memória fosse dada a quem magoa
São outros a construir o meu dia
Contradição que se apregoa
E confiar já não sei em quem seria
A liberdade é paga assim, por boa
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Dança de navalha
Jardim benfazejo
com espiar de Arcanjo
e cuidados celestes,
para leis negras de vestes
dar música de realejo
No pantanal de gravatas
afogam as bravatas
dança de navalha, um beijo
com espiar de Arcanjo
e cuidados celestes,
para leis negras de vestes
dar música de realejo
No pantanal de gravatas
afogam as bravatas
dança de navalha, um beijo
Hoje há teatro
Hoje há teatro!...
A maior peça do mundo!...
— Vida lixada...
Todos são actores,
acidentais é certo,
como certo é o desespero
de tal encenação:
a casa, a praça, o imposto,
o desemprego,
o mal empregado actor.
Papel de embrulho, o nosso,
importado.
Distribuído a todos à chegada
com fitas de seda.
— Peça contínua
em muitos actos,
cenas tristes.
A maior peça do mundo!...
— Vida lixada...
Todos são actores,
acidentais é certo,
como certo é o desespero
de tal encenação:
a casa, a praça, o imposto,
o desemprego,
o mal empregado actor.
Papel de embrulho, o nosso,
importado.
Distribuído a todos à chegada
com fitas de seda.
— Peça contínua
em muitos actos,
cenas tristes.
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